MOB Quênia

A atriz fala de sua experiência no Quênia, além de revelar seus projetos

Depois de um período sabático, que durou três anos, Camila Pitanga está de volta com força total. Na TV, faz parte de um time essencialmente feminino na série Aruanas, veiculada pela Globoplay, em que interpreta a advogada do agronegócio Olga – antagonista de um grupo de ativistas que defende a Amazônia –, papel bastante diferente do perfil na vida real. No teatro, esteve à frente da peça Por Que Não Vivemos?, adaptação de um texto do russo Anton Tchekhov, em que sua personagem, a viúva Ana Petrov, é uma pessoa com poder aquisitivo alto mas sem um propósito de vida.

E também na TV, Camila é a nova apresentadora do programa Superbonita, do canal pago GNT, cuja intenção primeira é refletir sobre os atuais padrões de beleza. Camila foi convidada pela MOB para ir ao Quênia e protagonizar a nova campanha da marca. Aqui, ela conta um pouco sobre esse destino tão inusitado, sua família, seus cuidados com o corpo.

Uma Florescente Camila

COM UMA PERCEPÇÃO AGUÇADA SOBRE AS CAUSAS FEMININAS, A ATRIZ FOI ATÉ O QUÊNIA E, NA VOLTA, IMPRESSIONADA COM O QUE VIU, FALOU SOBRE A SUA EXPERIÊNCIA TELÚRICA

Pisar na savana, com predomínio de tons amarelados, terrosos, é uma viagem à ancestralidade. Foi assim, embalada pelos cheiros e pelos sons tão característicos daquele lugar, que Camila Pitanga chegou a dizer, poeticamente, que dançou “ao som do vento” durante sua estadia fantástica no Quênia.

Lá, se encantou com a imensidão da paisagem, com as mulheres da reserva Maasai, com o estilo de vida completamente diferente do que é levado no Rio, onde a atriz mora, ou em qualquer outro centro cosmopolita do Brasil. Na volta, trouxe na bagagem muita emoção por ter vivido dias tão significativos e contemplativos.

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“Ao ter contato com outra cultura, bem diversa da sua, muda o teu centro”

O FEMININO É MUITO FORTE
As mulheres Maasai têm uma rotina agitada. São responsáveis pela educação dos filhos, pelos cuidados com os animais, pela construção de suas próprias casas. Em dias de festividade, não descuidam de um item essencial: vestem roupas e acessórios exuberantes.

“Pelo que estudei, conversei com homens e mulheres lá no Quênia, a vida de uma mulher passa por questões muito complexas, principalmente na cultura Maasai. Ao mesmo tempo que consigo perceber uma força de vida muito grande, vejo que elas vivem uma opressão muito grande também”

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A questão da circuncisão ainda é uma realidade, por mais que uma lei diga que não possa mais, ainda é uma prática. A questão de famílias serem compostas de um homem com várias mulheres, aos meus olhos é muito estranho. Quero dizer, não quero encarar meu estranhamento como uma certeza, mas... É difícil ter certezas quando a fala de uma cultura é tão diferente da nossa.

No chão da mãe África, os sentimentos afloram

Não foi a primeira vez que Camila esteve no continente africano. Tinha quase que certeza de que um dia voltaria.

"A maior emoção foi o contato com a natureza e com o povoado Maasai. Conhecer seus cantos, ter a vibração pelos cheiros da savana, ver a liberdade dos bichos. Tudo isso compõe um painel de fortes emoções que vivi nessa experiência, que foi até rápida. Foram poucos dias, mas muito intensos.”

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As ações sociais se expandem

Mulheres, principalmente as negras, e o meio ambiente estão no radar da atriz, que participa de campanhas para chamar a atenção para essas causas tão atuais.

“Eu sou defensora dos direitos humanos. Como feminista, considero urgente lutar pelos direitos das mulheres, com prioridades para as mulheres negras do nosso país, que não têm o mesmo campo de oportunidades. Na pirâmide social, são as que mais sofrem opressões. Considero parte da luta pelos direitos humanos defender o meio ambiente. A destruição da Amazônia é uma realidade que precisamos urgentemente interromper.”

Um novo perfil para o feminismo

Desde que as mulheres queimaram sutiãs nos anos 1960, o movimento ganhou novas cores, novas formas de reivindicação, novos rostos. Muitas jovens são bem participativas quando se trata de direitos da mulher.

“Hoje, vivemos um renascimento potente do feminismo e devemos comemorá-lo. Essa retomada da consciência feminista se faz sentir nas redes por meio de inúmeras hashtags e também nas ruas. A mulherada está se mobilizando em passeatas e debates. Como mulher, me sinto mais fortalecida hoje.””

Uma voz a ser ouvida

Camila Pitanga é embaixadora Nacional da ONU Mulheres, plataforma que propõe a igualdade de gênero e o fortalecimento dos direitos das mulheres.

“Trabalhar como embaixadora quer dizer lidar com representatividade. Uma representatividade que pode ser trabalhada na esfera do Brasil, como difusora de campanhas institucionais, e no âmbito internacional para fazer pontes, ter conversas, achar soluções, que ajudem a mulher a ter um lugar de maior respeito.”

Um retorno transfomador

Quando se viaja, dificilmente volta- se com o espírito igual ao da partida. Com Camila não foi diferente. Ela conta quais mudanças notou em si mesma depois de estar com as mulheres Maasai.

“Sempre acho que ao sair da sua realidade, conhecer novas paisagens, e ter a possibilidade de estabelecer contato com outra cultura, bem diversa da sua, muda o teu centro, você adquire um olhar mais amplo. E, talvez, até, você volte teu olhar para a sua própria cultura de maneira diferente, porque aquilo te transforma. Credito muito isso ao impacto que tive com as mulheres Maasai, de ter uma situação de vida que exige um contato com a sobrevivência, com uma força interior que acho admirável.”

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“Vivemos um renascimento potente do feminismo e devemos comemorá-lo”

AMOROSIDADE
Antonio Pitanga fez 80 anos e Camila encontrou um modo particular de fazer uma homenagem a ele: escreveu e dirigiu, em parceria com o cineasta Beto Brant, o documentário Pitanga. E para fugir do formato-padrão de entrevistas, os diretores partiram de encontros de Pitanga com seus conhecidos, da arte ou da vida afetiva, para formatar seu perfil.

“Meu pai, com sua amorosidade e sua garra, é o farol de valores que entendi serem necessários compartilhar. Filmar Pitanga foi um mergulho na história da nossa família, mas, principalmente, na história do cinema. Meu pai fez parte do movimento Cinema Novo. Havia nessa geração (Glauber Rocha e Cacá Diegues fazem parte dela) uma inquietação de linguagem na mesma medida que havia a preocupação com que imaginário sobre o país deveríamos mostrar na tela. Escolher um homem negro como protagonista tem uma dimensão política marcante nesse movimento dos anos 1960. O desejo foi de dar lugar de merecimento a esse homem negro vencedor.”

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Amor de Mãe

Ainda que esteja muito atarefada com o trabalho de atriz, e outras tantas atividades paralelas, Camila procura estar presente na vida de sua filha, Antonia, de 11 anos. Aqui ela conta como é seu relacionamento com essa menina que aprendeu a ter vida própria.

“Estou num mês meio frenético, né [risos], gravando Superbonita, em cartaz com peça de teatro de quarta a domingo, e lançando Aruanas [a entrevista de Camila à revista MOB aconteceu em julho]. Por isso, estou comemorando nossos almoços dia a dia. Antonia é muito independente e orgulhosa de sua autonomia. A gente gosta de ver série, ir à praia, andar de bicicleta. Passando este mês mais animado, torço para ter nossos momentos preciosos juntinhas.”

Um jeito livre de ser

É verdade que horas de lazer não são algo corriqueiro na vida da atriz. Mas, quando sobra um tempinho, ela gosta mesmo de...

“Andar de bicicleta deixou de ser um hobbie para ser um esporte! Sou uma iniciante apaixonada. Amo praia e cachoeira. Quando a vida dá tempo, aproveito essas riquezas que o Rio de Janeiro tem.”

E quando o assunto é beleza

Em paz com a maturidade, Camila nunca fez plástica. Botox ou qualquer outro tipo de preenchimento para aliviar marcas de expressão não fazem parte de sua lista de cuidados. Cuidados, aliás, que passam por outras vertentes.

“Ah, eu me cuido, sim! Prezo por uma alimentação saudável, priorizo alimentos orgânicos. Faço a minha sagrada prática de ioga. E sigo as orientações da minha mestra dermatologista Denise Luna Barcelos. Me cuido por dentro e por fora.”

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